Doria diz que é “preparado” para a Presidência e chama Lula de “sem-vergonha”
Em passagem por Fortaleza, nesta sexta-feira (18), o prefeito de São
Paulo, João Doria (PSDB), disse que não é candidato à Presidência da
República, mas, questionado se se sentiria preparado para comandar o
País, não titubeou.
“Quem administra a maior cidade da
América Latina, terceira maior capital do mundo, sétima maior cidade do
planeta, terceiro orçamento do país, com 12 milhões de habitantes se
sente, evidentemente, preparado para ser gestor em qualquer situação”, admitiu.
Em entrevista, Doria também defendeu a redução do Estado, o combate à
corrupção, criticou o populismo e atacou Lula e Ciro Gomes, a quem
recomendou visitas frequentes ao psiquiatra.
O tucano classificou políticas assistencialistas de “cabresto eleitoral” e afirmou que o Nordeste precisa é de empregos e empreendedorismo, apontando casos “de sucesso” e citando empresários cearenses como referência para a região.
“Chega de populismo, sem-vergonhice,
corrupção. E aí vamos poder gritar não só os valores do Ceará, mas do
Brasil. Viva o Brasil, esse é o País que queremos, acelera Brasil”, disse ao subir o tom em discurso inflamado que faz referência ao bordão que usa nas ações da administração de São Paulo.
Agenda
Doria rejeitou que suas viagens tenham caráter de pré-candidatura à presidência em 2018. “Se
me provarem que um CEO não consegue gerir sua empresa viajando, eu paro
de viajar na hora. Confiando na sua equipe, delegando, você gere com
eficiência”, disse aos empresários.
Presidência
Em conversa com os jornalistas, Doria reafirmou que não se apresenta
como postulante ao posto de candidato do PSDB à presidência no ano que
vem. Ele disse isso ao lado do presidente interino do partido, o senador
cearense Tasso Jereissati, que mais cedo havia colocado o prefeito de
São Paulo como um dos bons nomes do partido para a disputa presidencial.
“Eu não sou candidato, e não cabe a mim apontar bons nomes porque não sou da executiva do PSDB. Sou o prefeito de São Paulo”,
disse Doria, que tem como padrinho político o governador de São Paulo,
Geraldo Alckmin, que também pretende ser o candidato do PSDB na eleição
presidencial do ano que vem.
Ciro e o psiquiatra
Questionado sobre a motivação dos recorrentes ataques de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT na disputa presidencial, Doria atacou:
“Porque ele me teme, assim como o Lula e o petismo me temem também.
Aliás, ao Ciro Gomes um recado para ele: que ele intensifique mais a sua
frequência nas consultas ao psiquiatra, ele está precisando”, disparou Doria.
Lula
João Doria também atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em
resposta às declarações do petista em Salvador, onde inicia caravana
pelo Nordeste para alavancar sua pré-candidatura à presidência. Na
Bahia, Lula se comparou ao argentino Lionel Messi, cinco vezes eleito o
melhor do mundo, afirmando que o tucano ataca quem quem está na frente
das pesquisas -no caso, o ex-presidente.
“Outro dia, ele disse que eu era um nada. Pois o nada venceu o PT em São Paulo, nós arrasamos com o PT”, respondeu. “Ele
disse hoje ‘eu sou o Messi, eu quero ser um craque, um revolucionário
como o Messi no futebol’. Pois Lula, eu prefiro ser o Neymar. Um
brasileiro e negro que sabe o que fazer com a bola, que sabe defender as
cores do Brasil, a minha seleção, a brasileira, não a da Argentina, não
é vermelha, é verde e amarelo”, respondeu.
“Sem vergonha”
Pouco antes, para a plateia de empresários, Doria já havia chamado Lula de “sem-vergonha, mentiroso, preguiçoso e covarde”
por críticas que diz ter recebido do ex-presidente, entre eles o fato
de estar viajando muito. Somente em agosto Doria já esteve em três
capitais do Nordeste, Salvador, Natal e Fortaleza, e ainda nesta sexta
visita uma quarta, Recife.
“Aviso ao Lula que ele pode se
candidatar porque vai perder de quem estiver como candidato. Ele já
disse que sou um nada, pois o nada derrotou o PT em São Paulo”,
afirmou Doria, quase aos gritos à plateia de empresários que assistia e
aplaudia -em pelos menos dois momentos foi chamado de presidente por
integrantes da plateia.
Programa
O prefeito de São Paulo afirmou que não assistiu ao programa partidário
do PSDB exibido na noite de quinta (17), que gerou polêmica porque
falava que o partido havia errado e criticava o governo de Michel Temer,
mesmo fazendo parte dele, com quatro ministérios. “Eu
estava ao vivo em um programa no meu gabinete, por isso não assisti.
Mas nosso partido é democrático, pode assumir os seus erros, mas também
falar dos diversos benefícios que trouxe ao Brasil”, afirmou Doria.
Mais
O evento em Fortaleza foi promovido realizado pelo Grupo Servnac, Grupo
de Líderes Empresariais do Ceará (Lide), Federação das Indústrias do
Estado do Ceará (FIEC) e Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza
(CDL).
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